A história da Literatura Brasileira começa em pleno século XVI, especificamente, a partir da carta do escrivão da esquadra comandada por Cabral, Pero Vaz de Caminha. Sua carta é de enorme importância, na medida em que representa uma espécie de certidão de nascimento do Brasil. É a partir dela que se toma conhecimento da existência dos povos e desta parte do território americano.
Com o advento do “descobrimento”, terá início uma produção de mapas e textos europeus voltada a temas sobre o Brasil - sua cartografia, suas riquezas naturais e sua realidade populacional. O relatos, neste caso, passam a ser conhecidos pelo nome de Literatura de Informação. Podemos dividi-la, ainda, em dois segmentos: relatos de viagens e literatura jesuítica. No que tange aos relatos, encontramos discursos voltados aos hábitos e costumes dos povos indígenas, e, também, à grande diversidade da natureza americana, suas riquezas e suas adversidades. Por outro lado, no que tange à literatura jesuítica, encontramos textos voltados à catequização indígena; tais como: O auto de São Lourenço de José de Anchieta e Diálogos sobre a conversão do gentio de Manuel da Nóbrega.
Este período é bastante controverso, pois, se por um lado, encontramo-nos diante de um feito histórico de dimensões épicas, por outro lado, podemos entender este mesmo feito histórico, sob a marca de uma tragédia. Na primeira imagem, a figura do europeu é construída a partir de valores heróicos - ele é o Conquistador. Na segunda imagem, a figura dos índios é construída como a de povos bárbaros e animalescos. E a tragédia torna-se ainda maior, porque além de serem vistos como gente selvagem - sem fé, sem lei e sem rei -, foram dizimados de forma avassaladora, caracterizando, assim, a entrada da América para os livros de história na forma de um genocídio.
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